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Durante muito tempo, achei que o autocuidado era um território reservado aos profissionais de saúde ou, no extremo oposto, um conceito banalizado, associado a idas regulares ao cabeleireiro ao sábado de manhã – nada contra, adoro ir ao cabeleireiro! Mas, à medida que fui observando mais atentamente a experiência humana, percebi que o autocuidado não pertence apenas a esses lugares. É, na verdade, uma necessidade fundamental.

A grande revolução no meu entendimento sobre o cuidar veio da combinação de três elementos. O primeiro foi o doloroso reconhecimento de que assumi papéis de cuidado demasiado cedo, sem ter em mim os recursos necessários para o fazer, e de como isso me drenou existencialmente.

O segundo foi ter-me sentado centenas de horas, em encontros sobre meditação, equilíbrio emocional e autocompaixão, com pessoas que, generosamente, foram partilhando as suas inquietações e os seus desafios em reservar um tempo para si.

E o terceiro foi ter aprendido no curso Sentinelas, da Casa do Cuidar, que é realmente possível oferecer um cuidado integral e sensível ao sofrimento do outro, sem nos retirarmos de cena enquanto seres que sentem.

Hoje, vejo então a urgência de cuidar de si como algo que diz respeito a qualquer pessoa que esteja consistentemente com a sua energia mais voltada para fora do que para dentro, sem se dar conta de que essa balança precisa ser reequilibrada de forma multidimensional.

Tornar esse cuidado numa experiência concreta e acionável é profundamente pessoal. O primeiro passo é abrir espaço para a pergunta: o que é realmente importante para mim? Que aspetos da minha vida e da minha interioridade são significativos e pedem atenção? Para quais deles me sinto capaz de olhar, com presença, afeto e uma clareza que pode ser desconcertante? Por onde começo? De que apoio preciso? Todas estas questões levam-nos para um espaço de vulnerabilidade que nem sempre é fácil – mas mais difícil ainda é manter tudo como está.

Num mundo apressado e cada vez mais automatizado, acredito que o cuidado afetuoso que somos capazes de oferecer – ao outro e a nós mesmos – é intemporal e nos resgata da epidemia da solidão e da desesperança. Foi dessa convicção que nasceu esta Jornada de Autocuidado, uma trajeto de 6 semanas, sem promessas mirabolantes, mas também sem subestimar o potencial transformador de bons e afetuosos encontros!