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Há uns anos fui a uma consulta e quem estava do outro lado disse-me: “se houver uma catástrofe mundial, você vai ser das primeiras a morrer”. Choque. O que será que esta pessoa quer dizer com isto? Demorei algum tempo a processar esta interação.

O meu sistema é facilmente tomado pelo medo, e quando o gatilho é mais intenso, instala-se um silêncio profundo e desconfortável, o corpo congela e os olhos movem-se rapidamente à procura de uma solução que parece inexistente. Já aconteceu no trabalho, no desporto, em circunstâncias de doença, em conversas difíceis com pessoas fáceis e em conversas fáceis com pessoas difíceis. Definitivamente não é agradável, mas é uma experiência que classificaria como bastante humana.

É um padrão emocional com o qual escolhi desenvolver intimidade, e isso faz com que se vá tornando mais fácil passar por ele. Dia após dia, procuro estar mais longe da infeliz afirmação mencionada acima, cultivando resiliência na medida do que me é possível, e acomodando que há aspetos viscerais do meu mundo emocional que vão demorar o seu tempo a perder a força.

E para ti, como é sentir medo?