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Há exatamente uma década, num verão do hemisfério sul, li um livro sobre a morte. Aquelas páginas, lidas com ânsia no tumulto do metro entre as estações de Pinheiros, Brigadeiro e Sumaré, plantaram uma semente que demorou o seu tempo a germinar. Precisei de uns quantos anos para maturar a visão da indivisibilidade entre a vida e a morte e para encaixar que a consciência da finitude não é uma escolha mórbida, mas uma lamparina de clareza que ilumina o dia-a-dia.
Este processo não teria sido possível sem a energia contagiante e o coração terno da Ana Cláudia Quintana Arantes, intitulada no meu mundo mental privado como a minha Diva do Viver e do Morrer. Primeiro aparecendo na minha esfera como amiga de amigos, depois como autora de uns quantos livros imperdíveis, e finalmente como criadora e professora de um curso que está aí para mudar vidas – o Sentinelas.
Neste trajeto de oito longos meses, fui exposta a um olhar delicado, minucioso e criativo sobre a arte de cuidar. Descobri que há um lugar no mundo para se ser sensível e que há pessoas extraordinárias, capazes de contribuir para que os momentos mais difíceis de um ser humano se tornem numa vivência de afeto, amparo e resignificação.
Cada capítulo da história do Sentinelas é uma lição sobre humanidade e um convite a ser-se destemido perante o sofrimento. Na bagagem levo um conhecimento do qual ainda me estou a apropriar e no coração o impacto do afeto, da presença e do olhar penetrante de um ser humano que se interessa pelo outro.